segunda-feira, 5 de maio de 2014

Meu Jardim...


"Todo jardim começa com uma história de amor, antes que qualquer árvore seja plantada ou um lago construído é preciso que eles tenham nascido dentro da alma.
Quem não planta jardim por dentro, não planta jardins por fora e nem passeia por eles..." 
Rubem Alves.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

"E como ficou chato ser moderno, agora serei eterno..." Carlos Drummond de Andrade.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Um grito.

Quanto tempo.... quanta saudade acumulada... depois posto com mais calma e tempo! Por enquanto deixo o belíssimo fragmento da poesia de Eduardo Alves da Costa, como um protesto silencioso... Bsitos, já da terra do sol!
 
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na Segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Solidão é fundamental

Qto tempo! Já estava com saudades. A gente corre tanto que as vezes não temos tempo nem para nós mesmos... por isso, compartilho com vcs um texto lindo que recebi por email da Hilda Lucas. Desfrutem! Bsitos desde o outro lado do corguim!
Solidão é requisito para nascer e para morrer.
Que me desculpem os desesperados, mas solidão é fundamental para viver.
Sem ela não me ouço, não ouso, não me fortaleço. Sem ela me diluo, me disperso, me espelho nos outros, me esqueço. Sem ela os silêncios são estéreis e as noites sôfregas, povoadas de assombramentos e desejos insaciáveis. Sem ela não percebo as saídas, os milagres, os espinhos. Não penso solto, não mato dragões, não acalanto a criança apavorada em mim, não aquieto meus pavores, meu medo de ser só. Sem ela sairei por aí, com olhos inquietos, caçando afeto, aceitando migalhas, confundindo estar cercada por pessoas com ter amigos.
Sem ela me manterei aturdida, ocupada, agendada só para driblar o tempo e não ter que me fazer companhia. Sem ela trairei meus desejos, rirei sem achar graça, endossarei idéias tolas só para não ter que me recolher e ouvir meus lamentos, meus sonhos adiados, meus dentes rangendo. Sem ela, e não por causa dela, trocarei beijos tristes e acordarei vazia em leitos áridos. Sem ela sairei de casa todos os dias e me afastarei de mim, me desconhecerei, me perderei.
Solidão é o lugar onde encontro a mim mesma, de onde observo um jardim secreto e por onde acesso o templo em mim. Medo? Sim. Até entender que o monstro mora lá fora e o herói mora aqui dentro. Encarar a solidão é coisa do herói em nós, transformá-la em quietude é coisa do sábio que podemos ser.
Num mundo superlotado, onde tudo é efêmero, voraz e veloz, a solidão pode ser oásis e não deserto. Num mundo tão volúvel, desencantado e ansioso, a solidão pode ser alimento e não fome. Num mundo tão barulhento, egoísta, atribulado, a solidão pode ser trégua e não luta. Num mundo tão estressado, imediatista, insatisfeito, a solidão pode ser resgate e não desacerto. Num mundo tão leviano, vulgar, que julga pelas aparências e endeusa espertalhões, turbinados, boçais, a solidão pode ser proteção e não contágio. Num mundo obcecado por juventude, sucesso, consumo, a solidão pode ser liberdade e não fracasso.
Tempo e solidão são hoje os bens mais preciosos, o verdadeiro luxo.
Marque encontros com você mesma. Experimente. Dê-se um tempo. Surpreenda-se. Solidão é exercício, visitação. É pausa, contemplação, observação. É inspiração, conhecimento. É pouso e também vôo. É quando a gente inventa um tempo e um lugar para cuidar da alma, da memória, dos sonhos; quando a gente se retira da multidão e se faz companhia. Quando a gente se livra da engrenagem e troca o medo de ser só pela coragem de estar só. Não falo de isolamento, nem ruptura ou apartamento. Adoro gente mas, mesmo assim, e talvez até por isso, preciso de solidão. Preciso estar em mim para estar com outros.
Ninguém quer ser solitário, solto, desgarrado. Desde que o homem é homem, ou ainda macaco, buscamos não ficar sozinhos. Agrupamo-nos, protegemo-nos, evoluímos porque éramos um bando, uma comunidade. Somos sociáveis, gregários. Queremos família, amigos, amores. Queremos laços, trocas, contato. Queremos encontros, comunhão, companhia. Queremos abraços, toques, afeto. É a nossa vocação. Mas, ainda assim, revendo o poeta, ouso dizer: é preciso aprender a estar só para se gostar e ser feliz.
O desafio é poder recolher-se para sair expandido. É fazer luz na alma para conhecer os seus contornos, clarear o caminho e esquecer o medo da própria sombra. Existem pensamentos, orações, sorrisos, encontros e realizações que só acontecem quando estamos a sós. Existem curas, revelações, idéias, lembranças que só podem vir à tona quando estamos sós. Mesmo os momentos compartilhados só serão inesquecíveis se uma parte nossa estiver inteiramente só para apreender tudo que apenas a nós se revelará e tocará.
Existe uma pessoa que só conhecemos se conseguimos ficar sós: nós mesmos!
Seja amigo da solidão. Aceite seus convites, passeie com ela, desmistifique-a. Não corra dela, não tenha medo. Desassombre-se. Ouse a solidão e fique em ótima companhia.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

"El jardín olvidado"


Como é difícil despedir-se! Sempre que acabo de ler um livro, tenho essa sensação de despedida. Os contextos, os personagens, as histórias, tudo tão familiar... tanta cumplicidade, choros, risos. Compartilhar emoções criam vínculos tão fortes! Mas enfim, é a arte imitando a vida e vice-versa. Se na vida temos que passar página e tantas vezes fechar um “livro” para começar a escrever outro, com novas histórias, novos contextos e novos personagens, com certeza é menos doloroso fazer isso com a ficção. O livro é bastante interessante, está ambientado em três épocas distintas, com três protagonistas mulheres, e um conflito em cumum. Uma delas é uma autora de conto de fadas. E no livro são relatados alguns dos contos e como acontece com muitos poetas, compositores e autores, muitos dos contos são autobiográficos, o que vai dando pistas do desenrrolar da historia. Apesar de serem um pouco artificiosos, os contos de fadas resgatam alguns valores de uma maneira um pouco às avessas dos contos tradicionais. Portanto, deixo aquí alguns aperitivos do livro para podermos pensar: “... é bom poder ver sem ser vista. Ser observada é perigoso, porque determinados escrutinios é uma forma de roubo.” E uma das minhas partes prediletas do livro é quando Eliza contruía seu mundo e castelos, e ela era a princesa que esperava pelo principe, sua mãe lhe dizia que ela não devia esperar que alguém viesse resgatá-la. Uma mulher que espera que a resgatem, nunca salvará sí mesma. Porque ainda que você tenha os meios necessários, descubrirá que te falta valor. Devemos encontrar nosso valor, aprender a resgatar-nos e não esperar ou depender de ninguém! Concordam? Bem, fica aí minha dica de livro. Só não sei se está editado em português. “El jardín olvidado” de Kate Morton. É um best-seller, vale a pena ler! Bsitos!

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Palavras do Grande Inquisidor.

Mais um textinho pra alimentar a alma... mtos bsitos desde o outro lado do "corguim"!
De tudo o que Dostoievski escreveu em Os Irmãos Karamazovi o que mais me impressionou foi o incidente do “Grande Inquisidor”. É assim. Jesus havia voltado à terra e andava incógnito entre as pessoas. Todos o reconheciam e sentiam o seu poder mas ninguém se atrevia a pronunciar o seu nome. Não era necessário. De longe o Grande Inquisidor o observa no meio da multidão e ordena que ele seja preso e trazido à sua presença. Então, diante do prisioneiro silencioso, ele profere a sua acusação.
Não há nada mais sedutor aos olhos dos homens do que a liberdade de consciência, mas também não há nada mais terrível. Em lugar de pacificar a consciência humana de uma vez por todas mediante sólidos princípios, Tu lhe ofereceste o que há de mais estranho, de mais enigmático, de mais indeterminado, tudo o que ultrapassava as forças humanas: a liberdade. Agiste, pois, como se não amasses os homens... Em vez de Te apoderares da liberdade humana, Tu a multiplicaste, e assim fazendo, envenenaste com tormentos a vida do homem, para toda a eternidade...”
O Grande Inquisidor estava certo. Ele conhecia o coração dos homens. Os homens dizem amar a liberdade mas, de posse dela, são tomados por um grande medo e fogem para abrigos seguros. A liberdade dá medo. Os homens são pássaros que amam o vôo mas têm medo dos abismos. Por isso abandonam o vôo e se trancam em gaiolas.
Não me recordo o nome do autor. Mas não importa. Textos valem por eles mesmos e não pelos nomes daqueles que os escreveram. Eu o reconto com as minhas palavras. 
"Era um bando de patos selvagens que voavam nas alturas. Lá em cima era o vento, o frio, os horizontes sem fim, as madrugadas e os poentes coloridos. Tudo tão bonito! Mas era uma belezxa que doía. O cansaço do bater das asas, o não ter casa fixa, o estar sempre voando e as espingardas dos caçadores... Foi então que um dos patos selvagens, olhando lá das alturas para a terra aqui em baixo viu um bando de patos domésticos. Eram muitos. Estavam tranqüilamente deitados à sombra de uma árvore. Não precisavam voar. Não haviam caçadores. Não precisavam buscar o que comer: o seu dono lhes dava milho diariamente. E o pato selvagem invejou os patos domésticos e resolveu juntar-se a eles. Disse aos seus companheiros, baixou seu vôo e passou a viver a vida mansa que pedira a Deus. E assim viveu por muitos anos. Até que... Até que, num ano como os outros chegou de novo o tempo da migração dos patos. Eles pssavam nas alturas, no fundo do azul do céu, grasnando, um grupo após o outro. Aquelas visões dos patos em vôo, as memórias de alturas, aqueles grasnados de outros tempos começaram a mexer com algum lugar esquecido dentro do pato domesticado, o lugar chamado saudade. Uma nostalgia pela vida selvagem, pelas belezas que só se vêem nas alturas, pelo fascínio do perigo... Até que não foi mais possível agüentar a saudade. Resolveu voltar a ser o pato selvagem que fora. Abriu suas asas, bateu-as para voar, como outrora... mas não voou. Caiu. Esborrachou-se no chão. Estava gorde demais. E assim passou o resto de sua vida: em segurança, protegido pelas cercas e triste de não poder voar..." 
Acho que Fernando Pessoa se sentia um pouco como o pato. Pelo menos é o que sinto ao ler esse poema:
Ah, quanta vez, na hora suave
Em que me esqueço,
Vejo passar um vôo de ave
E me entristeço!

Porque é ligeiro, leve, certo
No ar de amavio?
Porque vai sob o céu aberto
Sem um desvio?

Porque ter asas simboliza
A liberdade
Que a vida nega e a alma precisa?
Sei que me invade
Um horror de me ter que cobre
Como uma cheia
Meu coração, e entorna sobre
Minh’alma alheia

Um desejo, não de ser ave,
Mas de poder
Ter não sei quê do vôo suave
Dentro do meu ser.”
Somos assim. Sonhamos o vôo mas tememos as alturas. Para voar é preciso ter coragem para enfrentar o terror do vazio. Porque é só no vazio que o vôo acontece. O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas. Mas é isso que tememos: o não ter certezas. Por isso trocamos o vôo por gaiolas. As gaiolas são o lugar onde as certezas moram.
É um engano pensar que os homens seriam livres se pudessem, que eles não são livres porque um estranho os engaiolou, que eles voariam se as portas da gaiola estivessem abertas. A verdade é o oposto. Não há carcereiros. Os homens preferem as gaiolas ao vôo. São eles mesmos que constroem as gaiolas em que se aprisionam  “Prisioneiro, dize-me, quem foi que fez essa inquebrável corrente que te prende?”, perguntava Tagore. “Fui eu”, disse o prisioneiro, “fui eu que forjei com cuidado, esta corrente...”
Deus dá a nostalgia pelo vôo.
As religiões constroem gaiolas.
As religiões são instituições que pretendem haver colocado numa gaiola o Pássaro Encantado. E não percebem que o pássaro que têm preso nas suas gaiolas de palavras é um pássaro empalhado. Era por isso que, no Antigo Testamento, era proibido falar o nome de Deus. Hoje, ao contrário, os religiosos não só falam o nome sagrado como também escrevem tratados de anatomia e fisiologia divinas. E proclamam que o pássaro só pode ser encontrado dentro das suas gaiolas. Religiões: uma enorme feira onde se vendem pássaros engaiolados de todos os tipos.
Os hereges que as religiões queimam e matam não são assassinos, terroristas, ladrões, adúlteros, pedófilos, corruptos. Esses são pecados suaves que podem ser curados pelo perdão e pelos sacramentos. Os hereges, ao contrário, são aqueles que odeiam as gaiolas e abrem as suas portas para que o Pássaro Encantado voe livre. Esse pecado, abrir as portas das gaiolas para que o Pássaro voe livre, não tem perdão. O seu destino é a fogueira. Palavra do Grande Inquisidor. Rubem Alves.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

É natal, é natal!!!!

Já é natal!!! Eu amo tanto o natal... me traz sensações tão boas! Mas pensando sobre ele, vejo que as vezes enfocamos tanto na morte de Jesus como o maior ato de amor que já se viu, que nos esquecemos que mto antes de morrer por nós, Ele nasceu, viveu e vive por nós. A manjedoura assim como a cruz são símbolos do amor eterno de Deus por nós. Uma historinha então para refletir:
A seguinte história é sobre uma família que parou numa lanchonete no dia de Natal. Eles estavam viajando, longe de casa, e pararam para descansar e almoçar. A família de Nancy eram os únicos com crianças na lanchonete. Nancy conta como foi:
"Eu coloquei Joãozinho, de dois anos, numa cadeira de bebê e notei que a lanchonete era calmo e todo mundo estava comendo e conversando. 
De repente Joãozinho gritou "Oi, amigo."
Meu filho bateu na mezinha da cadeira e seus olhos estavam alegres e animados. 
Ele estava sorrindo e gaguejando.
Eu olhei ao redor e vi a pessoa para quem ele falou.
Num canto, perto da porta, estava sentado um mendigo. 
A roupa do homem estava suja e manchada.
Eu podia ver os dedos de um dos seus pés num sapato desgastado. Seu cabelo estava assanhado. 
Sentamos um pouco longe dele, mas eu imaginei como era o cheiro do homem.
O mendigo acenou no ar meio doido. "Olá meu amiguinho. Oi homenzinho. Tudo bem?" ele falou para Joãozinho.
O que é que a gente faz,"? eu perguntei a meu marido.
"Oi. Olá," gritou Joãozinho para o homem.
Todo mundo na lanchonete olhou para a gente e depois para o homem. 
Nosso almoço chegou e daí o homem realmente começou a gritar. "Meu amiguinho! Você conhece 'Atirei um pão no ga-tô-tô'"… ?
Ninguém achou graça no mendigo. Ele obviamente estava bêbado. 
Eu e meu marido ficamos constrangidos. 
Mas, não queríamos criar uma cena. 
Tentamos ignorar o velhinho. 
Comemos em silêncio. 
Mas, Joãozinho não. 
Ele cantou tudo que sabia e o mendigo continuou com seus comentários.
Finalmente acabamos nossa refeição e fomos sair. 
Meu marido foi pagar a conta e pediu que eu saísse logo da lanchonete. 
O mendigo estava perto da porta. 
Eu orei "Ó senhor, me deixe sair daqui antes que ele fale de novo com Joãozinho." 
Quando passei perto do homem eu virei de costas para ele. 
Quando fiz isso, Joãozinho se inclinou de repente e se jogou para o mendigo.
Antes que podia parar ele, Joãozinho já estava nos braços do homem.
De repente um velhinho, sujo e de mau cheiro e um menino pequenino consumaram sua amizade. 
Num ato de confiança total, Joãozinho deitou sua cabecinha no ombro do mendigo e sorriu.
O mendigo fechou os olhos e ninou e balançou Joãozinho em seus braços. 
O tempo parecia parar. 
Finalmente o velhinho abriu seus olhos e olhou diretamente nos meus.
"Tome cuidado deste menino." Ele conseguiu dizer. 
"Eu vou, sim." Eu disse, mal conseguindo falar.
Ele levantou Joãozinho do seu ombro, e, com ternura e muita dificuldade, como se tivesse doendo muito, colocou meu menino de volta nos meus braços.
O homem disse "Deus te abençoa doutora. Você me deu meu presente de Natal."
Eu mal consegui falar. Estava tão envergonhada.
Com Joãozinho nos meus braços, corri para o carro.
Meu marido me perguntou porque eu estava chorando. 
Eu só conseguia dizer "Meu Deus, meu Deus, me perdoe."
Eu havia acabado de testemunhar o amor de Cristo por meio de uma criancinha.
Meu filho não viu nenhum pecado, e não fez nenhum julgamento. Ele, uma criança, viu uma alma, quando eu, uma Cristã só vi roupa suja.
Eu fui uma Cristã que era cega, segurando uma criança que não foi.
Eu senti como se Deus estivesse me perguntando 
"Você está disposto a compartilhar seu filho por um momento, quando eu compartilhei o meu para eternidade"?