segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

É natal, é natal!!!!

Já é natal!!! Eu amo tanto o natal... me traz sensações tão boas! Mas pensando sobre ele, vejo que as vezes enfocamos tanto na morte de Jesus como o maior ato de amor que já se viu, que nos esquecemos que mto antes de morrer por nós, Ele nasceu, viveu e vive por nós. A manjedoura assim como a cruz são símbolos do amor eterno de Deus por nós. Uma historinha então para refletir:
A seguinte história é sobre uma família que parou numa lanchonete no dia de Natal. Eles estavam viajando, longe de casa, e pararam para descansar e almoçar. A família de Nancy eram os únicos com crianças na lanchonete. Nancy conta como foi:
"Eu coloquei Joãozinho, de dois anos, numa cadeira de bebê e notei que a lanchonete era calmo e todo mundo estava comendo e conversando. 
De repente Joãozinho gritou "Oi, amigo."
Meu filho bateu na mezinha da cadeira e seus olhos estavam alegres e animados. 
Ele estava sorrindo e gaguejando.
Eu olhei ao redor e vi a pessoa para quem ele falou.
Num canto, perto da porta, estava sentado um mendigo. 
A roupa do homem estava suja e manchada.
Eu podia ver os dedos de um dos seus pés num sapato desgastado. Seu cabelo estava assanhado. 
Sentamos um pouco longe dele, mas eu imaginei como era o cheiro do homem.
O mendigo acenou no ar meio doido. "Olá meu amiguinho. Oi homenzinho. Tudo bem?" ele falou para Joãozinho.
O que é que a gente faz,"? eu perguntei a meu marido.
"Oi. Olá," gritou Joãozinho para o homem.
Todo mundo na lanchonete olhou para a gente e depois para o homem. 
Nosso almoço chegou e daí o homem realmente começou a gritar. "Meu amiguinho! Você conhece 'Atirei um pão no ga-tô-tô'"… ?
Ninguém achou graça no mendigo. Ele obviamente estava bêbado. 
Eu e meu marido ficamos constrangidos. 
Mas, não queríamos criar uma cena. 
Tentamos ignorar o velhinho. 
Comemos em silêncio. 
Mas, Joãozinho não. 
Ele cantou tudo que sabia e o mendigo continuou com seus comentários.
Finalmente acabamos nossa refeição e fomos sair. 
Meu marido foi pagar a conta e pediu que eu saísse logo da lanchonete. 
O mendigo estava perto da porta. 
Eu orei "Ó senhor, me deixe sair daqui antes que ele fale de novo com Joãozinho." 
Quando passei perto do homem eu virei de costas para ele. 
Quando fiz isso, Joãozinho se inclinou de repente e se jogou para o mendigo.
Antes que podia parar ele, Joãozinho já estava nos braços do homem.
De repente um velhinho, sujo e de mau cheiro e um menino pequenino consumaram sua amizade. 
Num ato de confiança total, Joãozinho deitou sua cabecinha no ombro do mendigo e sorriu.
O mendigo fechou os olhos e ninou e balançou Joãozinho em seus braços. 
O tempo parecia parar. 
Finalmente o velhinho abriu seus olhos e olhou diretamente nos meus.
"Tome cuidado deste menino." Ele conseguiu dizer. 
"Eu vou, sim." Eu disse, mal conseguindo falar.
Ele levantou Joãozinho do seu ombro, e, com ternura e muita dificuldade, como se tivesse doendo muito, colocou meu menino de volta nos meus braços.
O homem disse "Deus te abençoa doutora. Você me deu meu presente de Natal."
Eu mal consegui falar. Estava tão envergonhada.
Com Joãozinho nos meus braços, corri para o carro.
Meu marido me perguntou porque eu estava chorando. 
Eu só conseguia dizer "Meu Deus, meu Deus, me perdoe."
Eu havia acabado de testemunhar o amor de Cristo por meio de uma criancinha.
Meu filho não viu nenhum pecado, e não fez nenhum julgamento. Ele, uma criança, viu uma alma, quando eu, uma Cristã só vi roupa suja.
Eu fui uma Cristã que era cega, segurando uma criança que não foi.
Eu senti como se Deus estivesse me perguntando 
"Você está disposto a compartilhar seu filho por um momento, quando eu compartilhei o meu para eternidade"?

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Divagando um pouco...

Ai o tempo... passa tão rapidamente que quando percebi já faziam vários dias que não abria meu jardim pra vocês! Dizem que o jardim das nossas almas é um "jardim secreto", mas que não deve ser protegido com demasiada devoção porque, sem que vc se dê conta, ele pode começar a florescer de maneira excessivamente luxuriante e transbordar para além do espaço que vc havia reservado, e tomar gradativamente posse da sua alma e de domínios que não estavam destinados a permanecer secretos. E assim é possível, que toda sua alma acaba se tornando um jardim bem fechado, que no meio de todas as suas flores e seus perfumes, ela sucumba a solidão... eu prefiro abrir meu jardim, é mais saudável! 
Recebi um pps da mama de um texto do Pedro Bial sobre nossas escolhas, e como gostei mto resolvi passar pra frente. Resultado, fiquei uns dias trocando emails com algumas amigas, "filosofando" sobre; se somos ou não produto das nossas escolhas. A questão é mais profunda porque as nossas estruturas (família, valores, etc) e o contexto social em que estamos iseridos tbém influenciam em "quem somos nós". Mas no final, está tudo mto relacionado. As nossas estruturas (que nada mais é que o primeiro contexto ou meio social em que vivemos) vão nortear nossas ações, sempre agiremos de acordo com nossos valores. O meio em que vivemos é consequência das nossas escolhas. E se tentarmos reduzir ainda mais a questão: somos quem escolhemos ser! Um exemplo prático? Eu nasci em uma família de artista. Um artista sente sempre uma ansia, uma falta de não sei o quê... e desse mundo de artistas, me coube ser educada pelo menino travesso, aquele que de tanto que tinha dentro queria colocar tudo pra fora, até a última gota, até que o ar se desgastasse e a alma se escapasse, com esse anelo de viver intensamente essa paixão concentrada. E meu pai me deu asas e o comando para voar... e eu escolhi voar, escolhi viver diferente do que eu vivia antes, e o meio em que eu vivo hj determina de certa forma minhas ações. Posso dizer que sou hj alguém muito diferente do que eu era a 5 anos atras! Resultado das minhas escolhas, consequentemente, sou quem escolhi ser! Vc é quem vc escolheu ser? Bsitos desde o outro lado do "corguim"

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

A música que toca...


O título do blog fala por si mesmo, e tentar explicá-lo seria como mínimo, redundante. Mas eu estava pensando que existem diferenças. O que acontece dentro de mim, é que dependendo do meu humor e estado de espirito, a música que se ouve é um lindo hino que recorda minha infância, outras vezes é punk total! Mas lá dentro do recôndito da nossa alma, lá onde mora a saudade, toca uma música só. Acho que é mais ou menos como na estória do Barbazul:
 "Ele vivia num país, não me recordo se próximo ou distante, um homem que todos conheciam pelo apelido Barbazul. Era um homem de rara beleza. Do seu rosto o que mais impressionava eram os olhos, de um azul profundo, dos quais saía uma luz azul que envolvia sua barba numa aura azulada, razão do seu apelido.
Barbazul era um homem rico. Vivia num castelo. Numa das extremidades do seu castelo havia uma torre de sete patamares, trancados a sete chaves. Era uma torre misteriosa, interditada ao público, e sobre o que havia nela circulavam as estórias mais escabrosas. Barbazul era um homem solitário. Nunca se casara. Tão bonito, tão rico: por que nunca se casara? – era a pergunta que todos faziam. Muitas eram as mulheres, lindas mulheres, que por ele se apaixonavam. E Barbazul não se esquivava. Aceitava as sugestões contidas nos sorrisos... A princípio era um simples namorico, os dois passeando pelos bosques... Mas sempre chegava o momento quando a jovem lhe dizia: “Gostaria de me casar com você..." “Casamento é coisa muito séria“, dizia Barbazul. “Só devem se casar pessoas que se conhecem profundamente. E só existe uma forma de as pessoas se conhecerem: é preciso que vivam juntas. Você viveria comigo, no meu castelo, mesmo sem nos casarmos? Eu no meu quarto, você no seu... Até nos conhecermos?” E assim acontecia. A jovem ia viver com Barbazul no seu castelo, cada um no seu quarto. Comiam juntos, passeavam, conversavam... Barbazul era um homem extremamente fino e delicado. Mas sempre acontecia a mesma coisa: depois de um mês assim vivendo Barbazul se dirigia à jovem e lhe dizia: “Vou fazer uma viagem de sete dias. Nesses dias você tem permissão para visitar a ‘Torre dos Sete Patamares‘. Aqui estão as sete chaves... Durante a sua visita você deverá segurar a chave do patamar que você estará visitando na sua mão esquerda, fechada com bastante força. Isso é muito importante. Porque as chaves têm propriedades mágicas...“Com essas palavras ele partia e a jovem ficava só, com as sete chaves na mão, e a Torre dos Sete Patamares a ser visitada...
Transcorridos sete dias Barbazul regressava e após o abraço do reencontro perguntava: “Visitou a Torre dos Sete Patamares?“ “Sim. Visitei todos os patamares...“, a jovem respondia alegremente. “Você gostou?“ “Eu os achei maravilhosos!“ Barbazul insistia: “Todos eles?“ “Sim, todos eles...“ “Então“, concluía com um sorriso, “é hora de você me devolver as sete chaves, aquelas que você apertou na mão esquerda, o lado do coração. Como eu lhe disse, elas são mágicas... Elas vão me contar o que você sentiu...“ Assentava-se então numa poltrona, fechava os olhos, e segurava as chaves na sua mão esquerda, uma de cada vez. A magia das chaves estava nisso: elas o faziam sentir, ao segurá-las, o mesmo que a jovem havia sentido, na sua visita aos sete patamares da torre. Só de olhar para o seu rosto era possível perceber os sentimentos guardados na chave que segurava. Eram sentimentos os mais variados, todos os que existem no leque que vai da alegria até a tristeza. As jovens sempre se emocionavam ao visitar os patamares da torre... Com uma exceção. Ao segurar a sétima chave o sorriso de Barbazul desaparecia e, no seu lugar, aparecia enfado e tédio. Era isso que a jovem havia sentido no sétimo patamar: enfado e tédio. “Não“, dizia ele à jovem. “Não poderemos nos casar. Comigo você será para sempre infeliz. O que há de mais fundo em mim, para você é tédio e enfado.“ E sem outras explicações levava a jovem à casa de seus pais, não sem antes enchê-la com os presentes que trouxera da viagem.
E era sempre assim. Foi então que aconteceu... Era o entardecer, o sol se pondo no horizonte. O mar estava maravilhosamente azul. Barbazul caminhava na praia, como sempre fazia, pés descalços... Viu, ao longe, uma jovem que caminhava sozinha, molhando os seus pés na espuma do mar. Era uma cena linda, digna de uma tela de Monet: uma jovem sozinha, vestes brancas na areia branca, contra o azul do céu e o azul do mar... Ela caminhava na sua direção, distraída. Mas parecia não vê-lo, tão absorta se encontrava. Ela se assustou quando o viu... “Eu a assustei?“, ele perguntou. “Eu estava distraída“, ela disse, se desculpando. “Qual é o seu nome?“ “O meu nome? Stella Maris...“ “Chamam-me de Barbazul, por causa da cor da minha barba...“ Eles riram.
Ela não era bonita. Mas a cena era bonita, bonitos eram seus olhos, bonita era a sua voz... Barbazul ouviu músicas no seu coração. E foi assim que caminharam juntos de pés descalços ao sol poente, caminhadas que vieram a se repetir a cada novo dia. Até que, numa dessas caminhadas, Barbazul falou o que nunca falara. “Você não quer morar comigo no meu castelo?“
“Você está pedindo que eu me case com você?“, ela perguntou. “Não. Estou pedindo que você venha morar comigo. Depois de morar comigo, quem sabe, descobriremos que as nossas solidões poderão caminhar juntas pela vida...“ E assim, ela foi morar no castelo do Barbazul. E aconteceu exatamente como acontecia com todas as outras: passado um tempo Barbazul anunciou uma viagem de sete dias e lhe deu as sete chaves com a mesma recomendação. E partiu...
No primeiro dia Stella Maris tomou a primeira chave, abriu a porta do primeiro patamar e segurou firmemente a chave na sua mão. Era um enorme salão de festas cheio de gente. A orquestra tocava valsas alegres e as pessoas dançavam e riam. Parecia que todos estavam leves e felizes. Stella Maris dançou também e se sentiu leve e feliz. No segundo dia Stella Maris tomou a segunda chave, abriu a porta do segundo patamar e segurou firmemente a chave na sua mão. Era um salão de banquetes onde se serviam as mais deliciosas comidas e se bebiam os vinhos mais caros. Muitos eram os comensais, mas não tantos quantos havia no salão de festas. Stella Maris juntou-se a eles, assentou-se, comeu, bebeu e se alegrou. No terceiro dia Stella Maris tomou a terceira chave, abriu a porta do terceiro patamar e segurou a chave firmemente na sua mão. Era um parque cheio de crianças que brincavam dos mais variados brinquedos: balanços, gangorras, pipas, piões, cabo-de-guerra, pau de sebo, perna de pau, pula-corda, amarelinha, bolinhas de gude, bonecas, casinha, cabra-cega, escorregador, sela... Todas riam. Todas estavam felizes. Stella Maris se sentiu como criança e se juntou com elas, a brincar. No quarto dia Stella Maris tomou a quarta chave, abriu a porta do quarto patamar e segurou a chave firmemente em sua mão. Era uma biblioteca com prateleiras cheias de livros. Havia livros de todos os tipos: livros de ciência, de história, de literatura, de poesia, de filosofia, de humor, de mistério, de crime, de ficção científica, de arte, de culinária, de sexo, de religião... Os rostos daqueles que, assentados às mesas, liam livros em silêncio, revelavam emoções que os livros continham: concentração, excitação, curiosidade, alegria, tristeza, riso... Stella Maris escolheu um livro de arte, pinturas de Monet. Vendo as ninféias de Monet ela se sentiu leve e diáfana e desejou ver uma ninféia num lago... No quinto dia Stella Maris tomou a quinta chave, abriu a porta do quinto patamar e segurou a chave firmemente na sua mão. Era uma catedral gótica. A luz do sol se filtrava através dos vitrais coloridos e no silêncio do espaço vazio se ouvia o Requiem, de Fauré. E não eram muitas as pessoas que lá estavam. Havia rostos de súplica, rostos de sofrimento, rostos de paz. Stella Maris foi envolvida pelo silêncio, pelas cores dos vitrais, pela música... E a sua alma orou, chorou, agradeceu e sentiu paz.
No sexto dia Stella Maris tomou a sexta chave, abriu a porta do sexto patamar e segurou a chave firmemente na sua mão. Era um jardim japonês. Ouvia-se o barulho da água que caía na fonte onde nadavam carpas coloridas em meio às ninféias. As cerejeiras estavam floridas. Um velho hai-kai repentinamente floresceu: “Cerejeiras ao anoitecer – Hoje também já é outrora...“ (Issa). Poucas, muito poucas eram as pessoas que andavam pelo jardim. Stella Maris se assentou sob uma cerejeira florida e o seu pensamento parou. Não era necessário pensar. A beleza era tanta que ocupava todo o lugar onde moram os pensamentos. Experimentou o paraíso... No sétimo dia Stella Maris tomou a sétima chave, abriu a porta do sétimo patamar e segurou a chave firmemente na sua mão. Era uma ampla sala vazia, na penumbra. Ninguém, somente ela. O silêncio era absoluto. A solidão era absoluta. Dois móveis apenas, duas cadeiras. A que se encontrava no centro da sala era iluminada pela luz das velas de um candelabro que pendia do teto. Stella Maris assentou-se na cadeira que estava num canto, nas sombras. Foi então que um homem entrou por uma porta nos fundos. Vinha abraçado com um violoncelo. Sem dizer uma única palavra ele se assentou, arrumou o violoncelo entre as pernas, tomou o arco, concentrou-se e pôs-se a tocar. A melodia, em meio ao silêncio absoluto, sem nenhum ruído ou fala que a profanasse, era de tal pureza e pungência que lágrimas começaram a escorrer pelo rosto de Stella Maris. Sentiu que o seu corpo estava possuído pela beleza. Era como se ele, o seu corpo, fosse o instrumento de onde saía a música. Sim, ela já a ouvira: a Suíte n. 1, em sol maior para violoncelo, de Bach. Terminada a execução, o artista se levantou e se retirou sem nada dizer. Stella Maris permaneceu assentada, em silêncio; não queria que aquele momento terminasse. Queria que ele se prolongasse, para sempre... “Então“, disse Barbazul sorridente, “visitou a Torre dos Sete Patamares?“ “Visitei“, respondeu Stella Maris, entregando-lhe as chaves. Barbazul pediu para ficar sozinho e reclinando com os olhos fechados foi apertando as chaves, sucessivamente, com a mão esquerda, a mão do coração. No seu rosto se estampavam as emoções que Stella Maris havia tido em cada um dos patamares: leveza, alegria, riso, beleza, tristeza – até chegar ao último patamar, aquele que, ao segurar a sua chave, sentira o tédio e o enfado que as outras mulheres haviam sentido. O que é que Stella Maris teria sentido? E, de repente, sentiu lágrimas rolando pelo seu rosto, as mesmas lágrimas que haviam rolado pelo rosto de Stella Maris. Era como se o seu corpo estivesse possuído pela beleza e fosse o instrumento do qual a música saía... Barbazul sorriu. Permaneceu assentado, em silêncio; não queria que aquele momento terminasse. Queria que ele se prolongasse, para sempre... “Stella Maris, você quer se casar comigo“, ele perguntou. “Casar? Mas eu pensei que...“ “Sim, casar. Você compreendeu o que é a Torre dos Sete Patamares? É a minha alma. Cada patamar é um pedaço de mim. Lá se encontram os prazeres e alegrias humanos. Homens, mulheres e crianças se reúnem para compartilhar esses prazeres e alegrias. Mas, ao final da torre, há um lugar de solidão absoluta onde só entra uma pessoa de cada vez, eu permitindo. Aquele lugar é o fundo do meu coração. Quem não amar aquele lugar jamais me amará. Poderá até ser um companheiro de danças, de jantares, de discussões literárias, de brinquedos... Muitos podem ser bons companheiros. Mas, para me amar, é preciso amar a minha solidão. E aquela música é a forma sonora da minha solidão. Você a achou bela. Você permitiu que ela possuísse o seu corpo. E, por isso, eu a amo... Nossas solidões são amigas... Você quer se casar comigo?“"

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Viver aqui...

Como morar fora é um constante aprendizado de como conviver com a saudade... pra variar tô aqui passando por este processo, sonhando com quem sabe, um possível regresso. Sempre sonho! Mas neste momento sigo aqui e, mesmo com uma alma cativa ao Brasil, me senti um dia e nunca mais deixei de estar enamorada da España. Universo do meu amor, terra do fruto desse amor. Então vou contar um pouco do que é a España e León pra mim... a característica que mais me chamou a atenção foram as estações do ano. Pra quem sempre teve, praticamente, só verão (Brasil), e que se encanta com toda beleza que cada estação tem, ainda hoje fico admirada! O inverno, chuva, neve, frio. A primavera linda e cheia de flores e cores. O verão insuportavelmente quente que só me permite usar havaiana o dia inteiro, dá a sensação de que nunca vai anoitecer. O outono triste e belo, tem cheiro de folha molhada. Tudo tem um tom de antigo, não de velho. As manhãs são enormes, sinto que se vive mais, ou pelo menos se aproveita mais os dias. As noites também parecem que nos convida em pleno inverno. O que seria no Brasil um ótimo momento de estar debaixo de coberta deitada no sofá assistindo um filme, aqui é perfeito para sair de casa. As relações humanas aqui, assim como o clima, são frias, distantes e superficiais. E para alguém que tem como necessidade básica, o toque, é bastante complicado estabelecer-se emocionalmente...rs Porém, mesmo pensando e valorizando mais os aspectos positivos do velho mundo, meu coração ainda se sente mais atraído pela terra do sol...    

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Figurino de Melinda Gordon - "Entre Fantasmas"

Faz muito tempo que vejo a série "Entre fantasmas", e não é necessáriamente pelo roteiro...rs Mas navegando por aí, descobri que não sou só eu que vejo a série pelo frívolo motivo de entretener-se admirando os vários modelitos da protagonista Melinda Gordon. Na historia ela é dona de uma loja de atiguidades, e seu figurino é bem de acordo com o contexto, de uma forma geral, da série. As roupas usadas por ela, seguem bem esse estilo vintage que está super em voga ultimamente, tanto é assim que algumas estrelas das telonas, como Milla Jovovich, por exemplo, são adeptas dessa moda. Mas voltando ao tema, como eu gostei e gosto mto de ver os modelitos da Melinda Gordon, compartilho com vcs alguns que encontrei...



















quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Realizações


Hoje, velando o soninho da Esther, ajudando a Laura a se arrumar para ir a escola e, pensando se o Lucas se lembrou de levar o lanche, tive uma sensação de realização tão grande que outro tipo de projetos na minha vida ficaram irrelevantes e sem sentido. Me lembrei do que o Rubem alves escreveu...
..."é verdade: pai é alguém que, por causa de um filho, tem sua vida inteira mudada de forma inexorável. Isso não é verdadeiro do pai biológico. É fácil demais ser pai biológico. Pai biológico não precisa ter alma. Um pai biológico se faz num momento. Mas há um pai que é um ser da eternidade: aquele cujo coração caminha por caminhos fora do seu corpo. Pulsa, secretamente, no corpo do seu filho (muito embora o filho não saiba disto). Lembrei-me dos meus sentimentos antigos de pai, diante dos meus filhos adormecidos. Veio-me à mente a imagem de um “ninho“. Bachelard, o pensador mais sensível que conheço, amava os ninhos e escreveu sobre eles. Imaginou que, “para o pássaro, o ninho é indiscutivelmente uma cálida e doce morada. É uma casa de vida: continua a envolver o pássaro que sai do ovo. Para este, o ninho é uma penugem externa antes que a pele nua encontre sua penugem corporal.“ Era isso que eu queria ser. Eu queria ser ninho para os meus filhos pequenos. Queria que meu corpo fosse um ninho-penugem que os protegesse, um ninho que balança mansamente no galho de uma árvore ao ritmo de uma canção de ninar...
Que felicidade enche o coração de um pai quando o filho que ele tem no colo se abandona e adormece! Adormecida, a criança está dizendo: “tudo está bem; não é preciso ter medo“. Deitada adormecida nos braços-ninho do seu pai ela aprende que o universo é um ninho! Não importa que não seja! Não importa que os ninhos estejam todos destinados ao abandono e ao esquecimento! A alma não se alimenta de verdades. Ela se alimenta de fantasias. O ninho é uma fantasia eterna. Jung deveria tê-lo incluído entre os seus arquétipos! “O ninho leva-nos de volta à infância, a uma infância!“ (Bachelard). Aquela cena, a criança adormecida nos braços do pai, nos reconduz à cena de uma criancinha adormecida na estrebaria de Belém! Tudo é paz! Desejaríamos que ela, a cena, não terminasse nunca! Que fosse eterna! É impossível calcular a importância desses momentos efêmeros na vida de uma criança. É impossível calcular a importância desses momentos efêmeros na vida de um pai. O efêmero e o eterno abraçados num único momento! “Conter o infinito na palma da sua mão e a eternidade em uma hora“: o pai que tem o seu filho adormecido nos seus braços é um poeta! Essas palavras do poeta William Blake bem que poderiam ser suas. Um homem que guarda memórias de ninho na sua alma tem de ser um homem bom. Uma criança que guarda memórias de um ninho em sua alma tem de ser calma! Mas logo o pequeno pássaro começará a ensaiar seus vôos incertos. Agora não serão mais os braços do pai, arredondados num abraço, que irão definir o espaço do ninho. Os braços do pai terão de se abrir para que o ninho fique maior. E serão os olhos do pai, no espaço que seus braços já não podem conter, que irão marcar os limites do ninho. A criança se sente segura se, de longe, ela vê que os olhos do seu pai a protegem. Olhos também são colos. Olhos também são ninhos. “Não tenha medo. Estou aqui! Estou vendo você“: é isso o que eles dizem, os olhos do pai. O que a criança deseja não é liberdade. O que ela deseja é excursionar, explorar o espaço desconhecido – desde que seja fácil voltar. Tela de Van Gogh. É um jardim. No lado direito do jardim, mãe e criança que acabam de chegar. Ao lado esquerdo o pai, jardineiro, agachado com os braços estendidos na direção do filho. É preciso que o pai esconda o seu tamanho, que ele esteja agachado para que seus olhos e os olhos do seu filho se contemplem no mesmo nível. A cena é como um acorde suspenso, que pede uma resolução. É certo que o filho largará a mão da mãe e virá correndo para o pai... E a fantasia pinta a cena final de felicidade que o pintor não pode pintar: o pai pegando o filho no colo, os dois rindo de felicidade...
O tempo passa. Os pássaros tímidos aprendem a voar sem medo. Já não necessitam do olhar tranquilizador do pai. É a adolescência. Ser pai de um adolescente nada tem a ver com ser pai de uma criança. Pobre do pai que continua a estender os braços para o filho adolescente, como na tela de Van Gogh! Seus braços ficarão vazios. Como se envergonharia um adolescente se seu pai fizesse isso, na presença dos seus companheiros! É o horror de que os pássaros companheiros de vôo o vejam como um pássaro que gosta de ninho! Adolescente não quer ninho. Adolescente quer asas. Os ninhos, agora, só servem como pontos de partida para vôos em todas as direções. Liberdade, voar, voar... A volta ao ninho é o momento que não se deseja. Porque a vida não está no ninho, está no vôo. Os ninhos se transformam em gaiolas. Se eles procuram os olhos dos pais não é para se certificar de que estão sendo vistos mas para se certificar de que não estão sendo vistos! Aos pais só resta contemplar, impotentes, o vôo dos filhos, sabendo que eles mesmos não podem ir. Nos espaços por onde seus filhos voam os ninhos são proibidos. Mas eles terão de voltar ao ninho, mesmo contra a vontade. E o pai se tranquiliza e pode finalmente dormir ao ouvir, de madrugada, o barulho da chave na porta: “Ele voltou...“ Mas chega o momento quando os filhos partem para não mais voltar.
através da minha janela vejo um ninho que rolinhas construíram nas folhas de uma palmeira. A pombinha está chocando seus ovos. Vejo sua cabecinha aparecendo fora do ninho. Mas numa outra folha da mesma palmeira há um outro ninho, abandonado. Esse é o destino dos ninhos, de todos os ninhos: o abandono. Gibran Khalil Gibran escreveu, no seu livro O Profeta, um texto dedicado aos filhos. Não sei de cor suas precisas palavras. Mas vou tentar reconstrui-las. É aos pais que ele se dirige. “Vossos filhos não são vossos filhos. Vossos filhos são flechas. Vós sois o arco que dispara a flecha. Disparadas as flechas elas voam para longe do arco. E o arco fica só. "Esse é o destino dos pais: a solidão. Não é solidão de abandono. E nem a solidão de ficar sozinho. É a solidão de ninho que não é mais ninho. E está certo. Os ninhos deixam de ser ninhos porque outros ninhos vão ser construídos. Os filhos partem para construir seus próprios ninhos e é a esses ninhos que eles deverão retornar. Assim é na natureza. Assim é com os bichos. Deveria ser conosco também. Mas não é. Quem é pai tem o coração fora de lugar, coração que caminha, para sempre, por caminhos fora do seu próprio corpo. Caminha, clandestino, no corpo do filho. Dito pela Adélia: “Pior inferno é ver um filho sofrer sem poder ficar no lugar dele.“ Dito pelo Vinícius, escrevendo ao filho: “Eu, muitas noites, me debrucei sobre o teu berço e verti sobre teu pequenino corpo adormecido as minhas mais indefesas lágrimas de amor, e pedi a todas as divindades que cravassem na minha carne as farpas feitas para a tua...“Sei que é inevitável e bom que os filhos deixem de ser crianças e abandonem a proteção do ninho. Eu mesmo sempre os empurrei para fora. Sei que é inevitável que eles voem em todas as direções como andorinhas adoidadas. Sei que é inevitável que eles construam seus próprios ninhos e eu fique como o ninho abandonado no alto da palmeira...
Mas, o que eu queria, mesmo, era poder fazê-los de novo dormir no meu colo... "

domingo, 6 de novembro de 2011

E eu me rendi ao mundo virtual.

As estações mudam, e meu humor geralmente acompanha. Estou começando meu inverno, crises! Olho, analiso e sinto com muita crueza o desespero e a absurdidade do mundo, do meu contexto, de dentro de mim. Por isso a vontade de gritar e me submeter a este tipo de exposição. Quem me conhece um pouco sabe o quanto eu resisto ao mundo virtual. Prefiro o tato, contato, o cheiro, o sabor, o corpóreo, a matéria. Já li em um livro que a minha linguagem do amor é o toque físico. Preciso de contato pra me sentir amada, portanto, nada que um bom sexo com o amor da minha vida não resolva! Queria plantar um jardim! Escrevi um texto pra vovó Celina e, fiquei louca por plantar um. Como não tenho espaço para isso aqui em casa, resolvi criar um blog, formas alternativas de cultivar flores...

Eu sou...

... feita de necessidades imediatas e de uma força impulsiva e precipitada. Tenho três tatuagens no corpo, e algumas mais na alma. Tenho asas. Não tenho raízes. E tenho verdadeira atração por alturas, o medo faz isso comigo. Adoro conservar esse jeito "silvestre" de ser, que confunde, quando minha parte druida teima em resistir. Amo intensamente, sofro arrebatadoramente mas insisto em seguir meu coração, porque no fundo é ele quem sente e sofre. E tenho consciência de que esse coração que me guia, em alguns momentos tem bem claro o que quer e para onde vai, mas que na maioria das vezes vagueia sem direção, e se perde e me deixa sem rumo. Algumas vezes econtro partes de mim, quem sabe aqui....